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Questão 8 do ENEM 2025 de Linguagens

Acerto geral
31,8%
Dificuldade
Média
Distrator mais marcado
A
Amostra
3.352.398 alunos
Habilidade
H29

Enunciado

A escrita e suas tecnologias sofrem interessantes metamorfoses, numa ciranda que vai do simples bilhete aos originais de um livro

Estranhei muito na primeira vez que escutei a expressão “de próprio punho”. Parecia que eu ia bater em alguém. Não era bem o caso. Foi numa situação bancária, dessas bem burocráticas, e eu devia escrever algo bem breve, mas com minhas mãos. Na verdade, o que importava era a autenticidade da minha caligrafia, que à época ainda era mais fluente e firme. Depois dos teclados de computador, ela rateia bastante. Minha letra, hoje, tem uma espécie de alternância: dia sim, dia não, trêmula e firme, forte e fraca, mais rotunda e mais cheia de arestas.

É claro que já escrevi muito mais de próprio punho ou, numa palavra mais bonita, manuscrevi (prefiro a mão ao punho, embora ele também seja usado na tarefa). Mas isso não é um feito individual. Em larga medida, é social. Muita gente sente o mesmo que eu, isto é, escreve bem menos usando as mãos, ou melhor, empregando algum tipo de tecnologia (lápis, caneta etc.) para escrever com grafite ou tinta ou giz ou carvão ou sangue e o que mais. É importante lembrar que ainda há gente que não sabe escrever neste país, neste planeta, mas muita gente sabe e tem um combo de tecnologias mais ou menos à disposição para isso. Sou dessas pessoas privilegiadas que têm várias possibilidades, e uma delas nunca deixou de ser o uso das minhas mãos. Ainda hoje, são elas que batucam meu teclado de computador ou que tocam suavemente duas ou três telas sensíveis. Mas não expressam mais a minha letra. No lugar, aparecem Times New Roman, Arial, Calibri e mais uma centena de “letras” à minha escolha. Eu e Deus e o mundo.

A despeito desse rol de chances e ferramentas para escrever, o manuscrito nunca deixou de pintar aqui e ali, muitas vezes como obrigação. Na escola, por exemplo, até hoje ele é soberano. No Enem também. Curioso, não? Fico pensando em que espaços e ocasiões ainda uso minha letra. Olhando ao redor, na minha casa, minha letra está em espaços muito delimitados e específicos: bilhetes. Eles estão principalmente na cozinha, em especial na porta da geladeira, a fim de manter a comunicação com meus coabitantes, sempre muito esquecidos ou relapsos. Mas também há bilhetes em post its na minha mesa do escritório, textinhos em garranchos por meio dos quais me comunico comigo mesma, a evitar um comportamento esquecido e relapso.

No escritório, costumo ser mais suave comigo mesma, mas também muito mais lacônica, a ponto de nem eu me entender, se passar o tempo. Em todos os casos vai minha letra, menos e mais redonda, a lápis e a tinta azul, em post its rosa-choque, colados precariamente, e todos com destino à lixeira, em breve. Justo porque eles funcionam como lembretes de tarefas e coisas que devem ser vencidas e, claro, substituídas por outras, num fluxo infinito, às vezes ansiogênico, com que a maioria dos adultos (e mais ainda as adultas) precisa conviver.

As formas de escrever mudam, as necessidades também, e o resultado é um elenco complexo, em que nada dispensa nada, a depender da tarefa ou da importância das coisas ou de suas funções, claro. A escrita e suas tecnologias incríveis vão se reposicionando, mudando de status, numa ciranda interessante e importante que pode ser vista À luz de certa diversidade que encontra suas oportunidades e seus efeitos, aqui e ali. Não adianta muito pensar sempre como se tudo fosse excludente. Estão aí minha farta comunicação por bilhetes, minha gaveta alegre de post its de toda cor, esperando para serem usados, e o cheque do cartório, em que quase tudo já é digital. “Do punho ao pixel” não é uma frase filosoficamente correta. O negócio é mais “o punho e o pixel”.

RIBEIRO, A. E. Disponível em: https://rascunho.com.br. Acesso em: 16 jan. 2024 (adaptado).

Comando

Nesse texto, o que caracteriza a escrita “de próprio punho” é a letra manuscrita, enquanto a escrita digital é ilustrada pelo(a)

Alternativas

Clique para revelar a correta.

A
B
C
D
E

Anotações, grifos e alternativas eliminadas ficam salvos neste navegador.

Resolução comentada

Resumo grátis

Resolução

A questão cobra a H29 — identificação de tecnologias de comunicação e informação por suas linguagens. O comando pede que o aluno reconheça, dentro do próprio texto, qual elemento ilustra especificamente a escrita digital — em contraste com a escrita manuscrita. O ponto decisivo está num trecho direto da crônica: a autora descreve que, no lugar da sua letra, aparecem "Times New Roman, Arial, Calibri e mais uma centena de 'letras' à minha escolha". Esses são nomes de fontes tipográficas digitais — a linguagem característica da escrita em ambiente digital. Para chegar nisso, era necessário localizar no texto a passagem que descreve concretamente o que substitui a caligrafia pessoal. O detalhe que destrava a questão é não confundir o tema geral (tecnologias de escrita) com o elemento específico que ilustra a escrita digital no texto. A alternativa correta é D.

A resolução completa também traz: Análise estratégica · Revisão essencial · Passo a passo · Tirando o coelho da cartola · Destrinchando as alternativas · Expansão de repertório.

Resolução completa passo a passo

Análise estratégica, passo a passo e comentário de cada alternativa.

Visualização

Leitura dos distratores

Compare como a questão se comporta no geral e entre alunos de alto desempenho.

Distribuição por alternativa

Todos os alunos
alunos top

No geral, A é o erro mais frequente entre as alternativas erradas (29,0%).

Entre alunos de alto desempenho, E ainda concentra 74,2%.

Curva de acerto por faixa de nota

Ponto de virada

Maior salto em 600–699 / 700–749.

Progressão

Gap topo vs base: 0.0 p.p.

Coerência

Percentil de discriminação: P79.

Leitura automática

Distrator geral

A foi a alternativa errada mais marcada.

Distrator entre top

E segue como erro relevante.

Acerto geral

31,8% de acerto na amostra.

Leitura pedagógica

A curva mostra se o acerto cresce conforme a nota aumenta.

Dados: 3.352.398 respostas. Grupo top: 0 alunos. Escala considerada até 800. Ranking de dificuldade da questão: 8 de 180.

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